Festival da Música da Madeira
O 26.º Festival da Música da Madeira, integrado no Festival do Atlântico, teve início ontem, dia 3 de Junho, com dois bailados do Ballet Gulbenkian.
A partir das 18h, o Teatro Municipal Baltazar Dias recebe "Le Sacre du Printemps" e às 21h30m sobe ao palco o bailado que recentemente esteve na Alemanha a representar o nosso país. Trata-se da peça "Organic Spirit, Organic Beat, Organic Cage" que, desde a sua apresentação, a 16 de Março no Grande Auditório Gulbenkian, tem recebido críticas bastante positivas.
Esta última peça é coreografada por Paulo Ribeiro e com música de John Cage (2nd Construction; 3rd Construction e Credo in Us). O bailado "Le Sacre du Printemps" tem a coreografia de Marie Chouinard e música de Igor Stravinsky. Ambas as peças podem ser vistas até ao dia 5 deste mês, às 21h30m e 18h, respectivamente.
Segundo declarações do coreógrafo e director artístico do bailado Paulo Ribeiro, no site da Fundação Calouste Gulbenkian, «esta criação, para a totalidade do elenco do Ballet Gulbenkian, vai uma vez mais neste sentido; construindo uma dança em que não existem orgânicas solitárias, mas sim dependentes e confrontadas com o próximo. Tentamos criar um espaço de sensualidade de corpo/matéria, carne/músculo e desejo que se dilui e materializa num imenso baile que não é mais do que um lugar de vida preenchido por um colectivo de histórias singulares».
Natural de Lisboa, Paulo Ribeiro, antes de se afirmar como coreógrafo, fez carreira como bailarino em várias companhias na Bélgica e na França. A sua estreia no domínio da criação coreográfica deu-se em 1984, em Paris, no âmbito da companhia Stridanse, da qual foi co-fundador, e que o levou à participação em diversos concursos naquela cidade, obtendo em 1984 o prémio de Humor e em 1985 o 2.º prémio de Dança Contemporânea, ambos no Concurso Volinine.
De regresso a Portugal em 1988, começa por colaborar com a Companhia de Dança de Lisboa e com o Ballet Gulbenkian, para os quais cria, respectivamente, ''Taquicárdia'' (Prémio Revelação do jornal ''Sete'' em 1988) e ''Ad Vitam''.
Com o solo ''Modo de utilização'', interpretado por si próprio, representa Portugal no Festival Europália 91 em Bruxelas. A sua carreira de coreógrafo expande-se no plano internacional a partir de 1991, com a criação de obras para companhias de renome: Nederlands Dans Theater II (''Encantados de servi-lo'' e '' Waiting for Volupia''), Nederlands Dans Theater III (''New Age''); Ballet de Genève (''Une Histoire de Passion''); Centre Chorégraphique de Nevers, Bourgogne (''Le Cygne Renversé''). Para o Ballet Gulbenkian criará ainda: '' Inquilinos'', ''Quatro Árias de Ópera'' (em colaboração com Clara Andermatt, João Fiadeiro e Vera Mantero) e '' Comédia Off -1''.
Entretanto, Paulo Ribeiro foi galardoado em 1994 com o Prémio Acarte/Maria Madalena de Azeredo Perdigão pela obra ''Dançar Cabo Verde'', encomenda de Lisboa 94 - Capital Europeia de Cultura, realizada conjuntamente com Clara Andermatt.
Em Setembro de 2002 foi indigitado Director Artístico do Ballet Gulbenkian, cargo que assumiu no início de Setembro de 2003.
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